quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

VÁRIAS DE MIM




Sou assim Duas de mim

Às vezes três Quatro... cinco... seis

Sou uma por mês

Me diversifico Tem horas que grito

Vivo num conflito

Mostro ao mundo minha dor Outras horas,

só sei falar de amor

A mais romântica

Melodramática Estática Chorosa e nervosa Carente e decadente

Vingativa e inconseqüente

Aí quando menos me percebo

Me transformo em mulher cheia de medo Cheia de reservas

Coberta de sutilezas Séria e sem defesa

No minuto seguinte

No papel de mulher fatal

Viro logo a tal Aí sou dona do mundo Segura e destemida

Altiva e atrevida Rasgo meus segredos ao meio

E exponho num roteiro

De poesia ou texto Agrido, inflamo

Conto o que ninguém tem coragem de contar

Explico detalhes que é bom nem lembrar

Sou assim Várias de mim

Sorriso por fora Angústia toda hora Por dentro um tormento

No rosto nenhum sofrimento

No corpo uma explosão de prazer

Nos olhos, meu desejo deixo perceber

Melhor nem me conhecer

Fique com minhas letras

Com as minhas palavras

Na vida real sou bem mais complicada Sou mil

E quem tentou, descobriu

Que viver ao meu lado

É viver dentro de um campo minado Prestes a explodir

Mas quem esteve nele

Nunca quis fugir

SILVANA DULBOC