quarta-feira, 29 de maio de 2013

CONFIDÊNCIA




CONFIDÊNCIA


Não preciso do sol, pois teus cabelos
tão claros também podem me esquentar;
não preciso dos astros, para vê-los,
basta-me olhar de perto o teu olhar.

Não preciso de música, depois
de ter ouvido a tua voz macia
- doce sonata, que a prender nós dois,
meus pesares transforma em melodia.

Não preciso de jóia ou bibelô,
porque, na tua silhueta magra,
a natureza pródiga talhou
a mais linda boneca de Tanagra.

Preciso, apenas, desse teu encanto,
dessa ternura que teu rosto tem,
dessa simplicidade que amo tanto,
por não havê-la visto em mais ninguém.

autor: Aristheu Bulhões

DOIS AMANTES


DOIS AMANTES
Pablo Neruda


“Dois amantes ditosos fazem um
só pão,
uma só gota de lua na erva,
deixam andando duas sombras que se reúnem,
deixam um só sol vazio numa cama...



De todas as verdades escolheram o dia....
não se ataram com fios senão com um 
aroma,
e não despedaçaram a paz nem as palavras...
A ventura é uma torre transparente...
O ar, o vinho vão com os dois amantes,
a noite lhes oferta suas ditosas pétalas,

têm direito a todos os cravos...

Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem muitas vezes enquanto vivem...
têm da natureza a eternidade”...